segunda-feira, julho 07, 2008
quinta-feira, julho 03, 2008
terça-feira, junho 24, 2008
terça-feira, maio 27, 2008
terça-feira, abril 29, 2008
Catedral
É claro, a força do movimento:
Andar e o andar
Encontrei um homem no topo
De trinta metros de lógica
E antes do sustento chegar
Em uma lufada de ar embaixo
De seus pés ele disse
"Não fossem os braços
Pendulares sem razão
Na absoluta falta de
Chão, e sua conseqüente
Fissura,
Não haveria razão para trezentos
Anos de arquitetos pondo cal e morrendo,
Não sem esse percurso, que vai do alto
À pedra, ou antes,
A queda em si, excluídos,
Os pontos de partida e chegada,
O tempo de um ponto a outro,
E o corpo, e o vento,
O texto que se cala."
terça-feira, abril 08, 2008
É a assimetria disso tudo que me incomoda. Com uma certa perplexidade, me percebo percebendo-me, pequeno. Tenho que lidar com a minha completa inexistência nos olhos de outro. É uma fantasmagoria: ela só existe para mim na medida em que é grande, maior do que o mundo. De concreto, só vivemos sob essa condição. Mas ela ignora, e, na sua ignorância, atropela a única coisa que dá sentido e nos anima. Sou e só me defino por aquilo que calo.
quinta-feira, abril 03, 2008
O molar tem um compasso, que marca
o ritmo da fome, e força
o sangue do desejo, e traça
o destino que nos traça
O lento ruminar de você,
que, indigesta, ser assimilável
a dois estômagos de aço.
O transe, o ritmo da fome,
A força, o jogo que jogamos
que força, o ritmo da força
que crava, o canino no meu pulso
E injeta, o sangue que me vive.
o ritmo da fome, e força
o sangue do desejo, e traça
o destino que nos traça
O lento ruminar de você,
que, indigesta, ser assimilável
a dois estômagos de aço.
O transe, o ritmo da fome,
A força, o jogo que jogamos
que força, o ritmo da força
que crava, o canino no meu pulso
E injeta, o sangue que me vive.
sexta-feira, março 28, 2008
Os sonhos que eu tenho
Não me fazem gozar
Não sonho com meus mortos
Nem com as mulheres que eu posso ter.
Sonho com meus mortos mortos,
Sonho com as mulheres deusas,
Sonho com a vida viva.
Os sonhos que eu tenho:
Sonho com os prazos
Sonho com as contas
Sonho que fiz
as coisas que de fato fiz
E num sonho
(esse foi o mais estranho)
Na Rebouças com a Faria Lima,
Entre uma mulher que ignora
E um velho que anda
Sonhei que cruzava a rua
Na faixa em local seguro.
Não me fazem gozar
Não sonho com meus mortos
Nem com as mulheres que eu posso ter.
Sonho com meus mortos mortos,
Sonho com as mulheres deusas,
Sonho com a vida viva.
Os sonhos que eu tenho:
Sonho com os prazos
Sonho com as contas
Sonho que fiz
as coisas que de fato fiz
E num sonho
(esse foi o mais estranho)
Na Rebouças com a Faria Lima,
Entre uma mulher que ignora
E um velho que anda
Sonhei que cruzava a rua
Na faixa em local seguro.
quinta-feira, março 13, 2008
Olhar foi sempre o problema. O seu ângulo reto, suas linhas contínuas até o infinito, o compasso que desenhou o seu molar. O movimento externo, ineficaz e afetado da elipse que faz a sua mão que, ao parar no ar, mostra falanges retas, magras e ansiosas por serrar as minhas. Ou antes (pois nada disso é ver), o movimento contínuo e irritado de algumas de minhas artérias, sua pulsão para frente e a angústia do refluxo do desejo. Sou uma capacidade abstrata de criar traços em seu rosto.
quinta-feira, dezembro 06, 2007
Os fios tinham um odor de início. Explico-me. Ela, que tinha cabelos do tamanho do sol, que flores faziam das cores o rosto, ela andava no nada. Suas decisões tinham o cheiro de uma vírgula. Era possível o seu cheiro, em forma de pedra? Mas a curva que, longa, ganha longitudes incertas, trança já o meu destino.
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