O coração nos faz voltar: bato sempre no mesmo ritmo. Mas é precio fugir- fujamos da autenticidade das coisas.
O gosto do passo e do destino se embaralha no conhecido. Não deixe de ser falso.
sexta-feira, janeiro 23, 2009
quarta-feira, janeiro 21, 2009
segunda-feira, janeiro 19, 2009
domingo, janeiro 18, 2009
sexta-feira, janeiro 16, 2009
quinta-feira, janeiro 15, 2009
segunda-feira, janeiro 12, 2009
domingo, janeiro 11, 2009
A António
Como olhar para trás,
Ver placas que nunca existiram?
Ah, não ficas bem, meu velho,
Não ficas bem em memória.
Que poderes fatais, que sinergia,
Sofrestes em teus neurônios de gigante?
Teves a genial ideia de
Ser vento, soltar-te num pulso orgíaco
Ser o supremo orgasmo da velocidade.
Mas rio-me, meu pequeno, rio-me,
Talvez não saibas que nunca suportei
(com certeza não sabes disso, não é?)
Ser mais do que sou.
Sou um homem qualquer, amigo,
Ah, sou um homem amigo da rocha,
Sou aquele que envelhece e morre,
Sou aquele que não tem orgasmos,
Sou aquele que trabalha e chega em casa
E reclama das costas e quer a janta pronta.
Como poderei encarar a morte, velho amigo
Sabendo que precipitas-te lindamente
Que abraçaste a dor,
Que odiaste todo o universo em dois segundos?
Eu fumo. Fumo porque sei que só posso morrer um maço de cada vez.
Minha mãe ralha comigo. Deixe-a ralhar. Morri no vício.
Tive de aprender a viver com a morte, encontrei-a
Na ponta do alvíssimo cigarro em brasas.
Deixei ele no chão, a queimar-se
Olhei ele queimar como se come uma barra
Do melhor chocolate que há.
Mas sei que não fumavas. Ah, meu amigo que sabe,
A memória é um suéter que ficou pequeno.
Como olhar para trás,
Ver placas que nunca existiram?
Ah, não ficas bem, meu velho,
Não ficas bem em memória.
Que poderes fatais, que sinergia,
Sofrestes em teus neurônios de gigante?
Teves a genial ideia de
Ser vento, soltar-te num pulso orgíaco
Ser o supremo orgasmo da velocidade.
Mas rio-me, meu pequeno, rio-me,
Talvez não saibas que nunca suportei
(com certeza não sabes disso, não é?)
Ser mais do que sou.
Sou um homem qualquer, amigo,
Ah, sou um homem amigo da rocha,
Sou aquele que envelhece e morre,
Sou aquele que não tem orgasmos,
Sou aquele que trabalha e chega em casa
E reclama das costas e quer a janta pronta.
Como poderei encarar a morte, velho amigo
Sabendo que precipitas-te lindamente
Que abraçaste a dor,
Que odiaste todo o universo em dois segundos?
Eu fumo. Fumo porque sei que só posso morrer um maço de cada vez.
Minha mãe ralha comigo. Deixe-a ralhar. Morri no vício.
Tive de aprender a viver com a morte, encontrei-a
Na ponta do alvíssimo cigarro em brasas.
Deixei ele no chão, a queimar-se
Olhei ele queimar como se come uma barra
Do melhor chocolate que há.
Mas sei que não fumavas. Ah, meu amigo que sabe,
A memória é um suéter que ficou pequeno.
quarta-feira, janeiro 07, 2009
quinta-feira, dezembro 25, 2008
Veja, querida, o retângulo dessa caixa: é o símbolo de perene que não escapa ao tempo. Brancas angústias correm o céu. As folhas que caem desenham um arabesco. O astro passa, e traz as novas: as coisas são as mesmas, é hora de dormir. Escutamos o que as flores e os insetos nos dizem, e conseguimos, sempre, demonstrar: sabemos muito bem que tudo é desprezo.
terça-feira, dezembro 23, 2008
Você crê, e sempre, que o asfalto e o cascalho são o lado onírico da vida. Você, que pensa em termos de versos e capítulos, confronta-se, triste, com a angústia irreversível desses dias, e duvida, por um instante, de sua fé. Anda, pega um livro, você sabe que não melhora nada.
Hoje é um buraco de perene.
Hoje é um buraco de perene.
Nesses ombros que eu vejo
Não sabia onde olhar.
Quando crias uma pele,
E ela brilha caprichosa,
O processo que incorporas
É o percalço que dissolve
Os caminhos que seguimos,
E transforma as tuas costas
Nesse campo sem veredas.
Uma vez que não forneces
Boas placas que seguras
Orientem nosso olhar,
Peço a ti para deixar
Com um dedo tão sensível
Eu buscar os teus traçados,
Para que eu possa afinal,
Reaver esse direito
De saber onde enxergar.
Não sabia onde olhar.
Quando crias uma pele,
E ela brilha caprichosa,
O processo que incorporas
É o percalço que dissolve
Os caminhos que seguimos,
E transforma as tuas costas
Nesse campo sem veredas.
Uma vez que não forneces
Boas placas que seguras
Orientem nosso olhar,
Peço a ti para deixar
Com um dedo tão sensível
Eu buscar os teus traçados,
Para que eu possa afinal,
Reaver esse direito
De saber onde enxergar.
sexta-feira, dezembro 19, 2008
sábado, dezembro 13, 2008
A espiral
Voltar, nós sabemos voltar: a cara sempre no mesmo chão. Rasga o rosto, e vê: as protuberâncias que cria a pele são a mostra de que não temos certo compasso - nova queda, e novo corpo. O tom regular dos tombos se acelera a cada passo.
Asculta: a carne se degrada no ritmo geométrico do tempo.
Voltar, nós sabemos voltar: a cara sempre no mesmo chão. Rasga o rosto, e vê: as protuberâncias que cria a pele são a mostra de que não temos certo compasso - nova queda, e novo corpo. O tom regular dos tombos se acelera a cada passo.
Asculta: a carne se degrada no ritmo geométrico do tempo.
quinta-feira, dezembro 04, 2008
quinta-feira, novembro 13, 2008
"La seule vie vraiment vécue, c'est la vie par l'art"
Proust
É preciso aceitar que esse senhor tem razão. A vida de fato completa está entre um homem e seu teclado, está no que consegue escrever. Na escrita, absolve-se a diferença entre belo e útil, entre puro e impuro. A escrita dá para os nossos pensamentos a forma que eles não têm em lugar nenhum, nem na nossa mente, nem na nossa fala, e nunca em nosso corpo. É na escrita que se imprime a verdade das coisas - não é a beleza uma solução?
Dando um tom pessoal que esse blog nunca teve, confesso que tenho dúvidas: é difícil acreditar no sucesso, nesse mundo tão impossível. Tudo é impossibilidade, tudo é limite - o real é o mundo do não. A beleza que eu vi, nunca a vi. Os amores que vivi, vivi só.
Mas lhes digo, com toda a convicção: hoje, sentei-me com o word, e escrevi. Digo para vocês: nada tem tanta realidade quanto a tinta no papel. Ela não será minha, e meu pai está morto - desafio que consigam explicar essas duas fatais realidades.
O texto, meus caros, não explica - dá sentido. Dá começo, meio, fim para o que parte do nada para não chegar nunca.
Proust
É preciso aceitar que esse senhor tem razão. A vida de fato completa está entre um homem e seu teclado, está no que consegue escrever. Na escrita, absolve-se a diferença entre belo e útil, entre puro e impuro. A escrita dá para os nossos pensamentos a forma que eles não têm em lugar nenhum, nem na nossa mente, nem na nossa fala, e nunca em nosso corpo. É na escrita que se imprime a verdade das coisas - não é a beleza uma solução?
Dando um tom pessoal que esse blog nunca teve, confesso que tenho dúvidas: é difícil acreditar no sucesso, nesse mundo tão impossível. Tudo é impossibilidade, tudo é limite - o real é o mundo do não. A beleza que eu vi, nunca a vi. Os amores que vivi, vivi só.
Mas lhes digo, com toda a convicção: hoje, sentei-me com o word, e escrevi. Digo para vocês: nada tem tanta realidade quanto a tinta no papel. Ela não será minha, e meu pai está morto - desafio que consigam explicar essas duas fatais realidades.
O texto, meus caros, não explica - dá sentido. Dá começo, meio, fim para o que parte do nada para não chegar nunca.
Quero, meu amor, dar a volta no nada, abraçar o errado: quero o gosto amargo que tem a cama. Quero o mesmo, quero o erro - quando você partir, querida, será o gosto do nada o seu rastro. O retorno impossível do fracasso, você, ao partir, será o gosto que tem o não.
Não esqueça sua hipérbole, querida, seu sorriso nos meus olhos.
Não esqueça sua hipérbole, querida, seu sorriso nos meus olhos.
terça-feira, novembro 11, 2008
Você anda com ela, perguntando-se das razões de sua atenção continuamente derramada sobre a tua incerta figura. Durante meses, você foi objeto de uma curiosidade simpática, de certa sedução estéril. Você poderia entender a indiferença, o asco, você entende a violência do chão áspero. O carinho, no entanto, tem o efeito de um murro: tua balbuciante resposta não é capaz de te pôr no eixo. Tuas mãos, tua pernas, tua cintura, respondem ao golpe desarticulando-se, transformando-te em um corpo continuamente jogado para frente. Mas ela não cessa de gostar, a empatia.
sábado, outubro 25, 2008
sábado, outubro 11, 2008
Mes phrases
Na sórdida paródia da construção, essas frases, Cristina, catalogam o vazio. Estão a copular em outro arquivo,só dizem o anódino, anoréxico, só dizem o ascético - essas frases só dizem o que cicunda um conjuno vazio. As frases, Cristina, perderam o contato com o chão, perderam o peso das preposições, e seus artigos. Minhas frases lamentam o que não têm, têm o que não queriam, deixaram o cheiro da pedra no solo. Essas frases, puras, suicidam-se num rodopio de nada.
Na sórdida paródia da construção, essas frases, Cristina, catalogam o vazio. Estão a copular em outro arquivo,só dizem o anódino, anoréxico, só dizem o ascético - essas frases só dizem o que cicunda um conjuno vazio. As frases, Cristina, perderam o contato com o chão, perderam o peso das preposições, e seus artigos. Minhas frases lamentam o que não têm, têm o que não queriam, deixaram o cheiro da pedra no solo. Essas frases, puras, suicidam-se num rodopio de nada.
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